GALEGUISMO POSITIVO

Artur Alonso 21 de Decembro de 2011 6

12345678910 (votos: 10 , media: 9,10 )

Ouvir com webReader

“Possua uma visão não desfocada pelo medo”

                                   (provérbio cherokee)

 

 

Muitas vezes uma focagem negativa leva na pratica a realizar ações correspondentes de caráter negativa – ainda que inconscientes – resultam afinal muito perniciosas.

Como bem refletem estes versículos do Dhammapada: …”Todos os estados (mentais) têm como precursor a mente, como chefe a mente, e são criados pela mente. Quando alguém age com mente negativa, é seguido pelo sofrimento, tal como a rode segue as patas do cavalo de carga”…  “Todos os estados (mentais) têm como precursor a mente, como chefe a mente, e são criações da mente. Quando alguém fala ou age com mente positiva, é seguido pela felicidade, tal como a sombra nos segue sem cessar”

Temos estes dias um debate em rede, na rua, a nível de conversa de amigos, dentro do sector chamado de “galeguista”, sobre o futuro próximo ou não tão próximo deste movimento, com a conseguinte focagem negativa ocasionada pelos últimos reveses no campo político e social.

Muitos já estão enterrando o galego e com elo a sua cultura.

A negatividade perante o retrocesso das posições políticas mais favoráveis a uma visão considerada “galeguista” puxa nesse sentido destes pensamentos, às vezes derrotistas.

Certamente a tendência geral não é alentadora, dentro do marco do Estado Espanhol e da Galiza. No entanto as tendências podem mudar dependendo de múltiplos fatores, não só internos senão também externos. A historia tem sobradas amostras disto. A historia do galeguismo, desde o Padre Sarmiento e Feijó ate a renascença ou ressurgimento, ate o Iº Estatuto de Autonomia e daí aos nossos dias, também está confortada de retrocessos e no entanto avanços…

Porem seria estúpido negar que a tendência de expansão do castelhano na Galiza assemelha muito a piques de consolidar todo o espaço territorial, ficando o galego reduzido a uma presença formalística ou quase de museu.

Mas também existe uma visão isolacionista geoestratégica, ao igual que na língua, que só referencia a saúde do galego nas quatro províncias, e circunscreve seu campo de trabalho em prol do galego ao território autonômico ou limítrofe. Essa visão reducionista não tem mais remédio que sentir a derrota e dizer a tendência negativa como algo impossível de travar. Também há que dizer que este tipo de visões tem muito a ver às vezes com ideia, cada dia mais negada pela ciência, de um centro de cosmovisão sem o qual seria impossível construir uma realidade homogenia, para determinada comunidade. Esta ideia errada parte já da base corporal do cérebro como único centro reitor, com um centro neuronal criador de estímulos e respostas. Mas pela contra estudos como do professor Howard Gardner, psicólogo da Universidade de Harvard, demonstram mais bem o contrario e como ele mesmo afirma: “Acredita-se, hoje, que o sistema nervoso seja altamente diferenciado e que diferentes centros neurais processem diferentes tipos de informação”.

No entanto uma tendência integracionista, ou de reintegração tanto na língua como no campo estratégico, tem de ser mais aberta: a sobrevivência do galego na Galiza, também vai depender de muito da culminação para bem do processo de afirmação do galego português com língua de importância global neste século. Processo que esta ainda em cernes… com tendências muito esperançosas, tanto pelo poder emergente do Brasil e Angola, como pela importância de Moçambique, na sua comunicação com o Indico e a Índia… assim como do pequeno Timor do petróleo, bom parceiro da Austrália e outros países da Oceania…

Abrir pois nossa mente: estamos rodeados dum oceano imenso de possibilidades a ser realizadas para já na nossa língua, na grafia internacional. Segundo a eleita da nossa consciência e levando a frente à ação a seguir, dirigida pela nossa percepção momentânea, podemos materializar uma das múltiplas possibilidades que hoje temos em esse imenso mundo real e virtual chamado lusofonia.

Qualquer ação correta desenhada e executada, a sós ou melhor em parceria com nossos amigos e amigas lusófonas no mundo, fortalece a nossa língua a nível global.

Mahatma Gandhi dizia: “Cada vez que uma pessoa da um passo na direção da paz, toda a humanidade da um passo em direção a paz”

Acontece o mesmo com a glotopolitica realizada pelos bons e generosos: “cada vez que uma pessoa ou um grupo de pessoas em rede, da um passo em direção à afirmação da sua língua, toda a Galiza, toda a lusofonia da um passo em direção a essa potencialidade”… Mais ainda cada vez que uma pessoa seja esta brasileira, angolana, argentina, irlandesa, cabo verdiana, da um passo em direção a solidariedade com a Galiza, sua cultura e sua língua toda a humanidade ruma um passo em essa direção solidaria… 

Sejamos práticos o derrotismo passou de moda, o vitimismo é uma forma de infantilismo… a luta pela Galiza deve fazer-se como bem diz o teólogo brasileiro Leonardo Boff: “os seres humanos devemos manter os olhos abertos sobre a realidade e as mãos operosas para transformá-la”. E dizer assumindo a realidade, mas prestes a transformá-la. Para transformar a realidade da Galiza, mais do que nunca precisamos da solidariedade lusófona.

Estamos sem discussão em tempos difíceis, mas não tempo limite. Assim que em tempos escuros, temos que atravessar as sombras – dure o dure esta caminhada – e ir preparando os estímulos para chegada da luz. Isto acontece sempre pois como bem diziam os pensadores taoístas: subida e baixada formam parte do mesmo movimento. Agora estamos de baixada, mas vamos usar esta baixada para tomar impulso para fazer a subida ao cume.

A crise será aproveitada para clarificar, reconstruir e deixar a um lado os velhos paradigmas fracassados, assim como as experiências que não puderam ser. Os que fiquem no velho, ficaram atrás, e o caminhar a frente serão as novas tendências e vanguardas que as marquem.

Mas para criar vanguarda ativa é preciso trabalhar em positivo, com amor, com entrega, com tolerância, com fidelidade… sabendo que o trabalho de hoje não é para nós, senão para os que venham detrás nossa… Pois o presente esta feito do passado, e desde este presente podemos consertar as feridas do passado para ter maiores opções de futuro…

Tender então pontes. Pontes para os que estão ainda hesitando passem ao lado que gera hipótese de sobrevivência. Pontes feitas de paciência, pois cada pessoa tem que atravessar no seu devido tempo. Pontes desde o presente olhando este com preocupação, sem frustração, aceitando a realidade e sobre essa realidade tender operosas as mãos, para a transformação…

Cada pessoa no seu posto. Desde todas as frentes, para com maior apoio sortear as sombras. Em rede, com todos os nossos e nossas irmãs lusófonas.

Braços abertos para receber a todos, galegos, brasileiros, angolanos… a todas. E paciência, trabalho, enorme paciência, pois com esse imenso trabalho cada cousa a de chegar no seu devido momento.

 

 

  • jose manuel quintans moreira

    Hola Artur, vou falar sin ter puta idea do que vou decir, pero ocúrrenseme algunha dúbidas relacionadas co tema lingüistico que tanto nos preocupa ós que sabemos certo que a linguaxe é un dos medios de counicación que temos os humáns.
    Soltaréi de maneira salteada algunhas parrafadas, de xeito un tanto descoordinadas, coma si foran pezas dun puzzle que estou seguro que tí saberás compoñer. Trátase dunha serie de obxecions bastante derrotistas, porque son moi pesimista co futuro do noso idioma galego como medio de comunicación entre as vindeiras xeracións. Velaí van:

    1) Os mozos e mozas de agora fóronse convertendo na sua meirande parte en anglo-casteláns parlantes, totalmente desmotivados pra retomar un idioma, o galego, que non ven como seu, senón máis ben como unha tarea obrigatoria do sistema educativo que non teñen máis remedio que superar si queren ir sacando o bacharelato pra diante. Eu atopo un paralelismo co que nos pasaba fai décadas ós estudantes das nosas xeracións co latín e o grego, linguas mortas que lles chamabamos, e que xa daquela viámolas como unha materia absurda e inútil, pero ben que as estudabamos pra poder pasar ó curso seguinte. ¿Algunha vez se che ocurriu a ti ou a min falar en latin ó salir do instituto? Non. Polo mesmo motivo, a obliogatoriedade do galego na escola tampouco está traendo máis galegoparlantes ás ruas.

    2) O idioma dominante neste país xa casi non é nin sequera o castelán. A incorporacion progresiva de termos anglosaxóns, debido á invasión sociocultural e tecnolóxica da potencia estadounidense, está destruindo pouco a pouco o uso do castelán, igual que fixeran as especies invasoras dos eucaliptos coas nobres árbores da nosa riqueza forestal. Si o castelán periga, qué esperamos do galego?

    3) O idioma mámase de pequenos. Eu teño a sorte de haber nacido no medio rural, con uns pais galegofalantes dende a miña infancia. Cada palabra que falo neste meu idioma querido evócame un mundo de ideas e de recordos que non logro sentir cando teño que empregar calqueira outri idioma, sexa español, inglés ou francés. Pero son consciente que máis dun 50 por cento dos galegos nacen e naceron en medios urbanos castelán parlantes. Impoñerlles un idioma alleo pra eles, sería como un desterro emocional, ideolóxico, sentimental.

    4) Non hai que olvidar o desprestixio tan extendido do feito de falar en galego, debido á asociación que con tanta frecuencia fai a xente entre o uso do noso idioma e a pertenencia ás clases socíais rurais máis desfavorecidas. Este sentimento de inferioridade contribue a lastrar o futuro do noso idioma. Habería que chegar a sensibilizar ás clases populares do tremendo erro histórico que supón este sentimento que nos leva humillado dende tantos séculos.

    5) Resulta moi tentador tratar de que o galego se acerque e acabe incorporándose ó portugués, como tí postulas. Non solo pra evitar que o galego morra definitivamente, senón tamén pola proxección internacional que o noso idioma adquiriría, xunto co desenrolo socioeconómico e cultural que eso levaría aparexado. Conseguiríamos ó mesmo tempo acabar coa histórica humillación sofrida fronte ó abusivo poder do estado español. E ademáis aumentaría tamén a nosa autoestima, ó sentirnos como formando parte dunha gran comunidade galego-portuguesa falante. A pesar de todas estas ventaxas, atopo dous temores razoables: a) ¿non sería como cambiar de amo? é decir, ¿non pasaríamos de ser vasallos do castelán para convertirnos en súbditos (por non decir esclavos) do portugués? b) ou pior ainda: ¿non entraríamos nun proceso de fagocitose lingüistica, de tal xeito que en poucas décadas desapareceríamos como galegos pra convertirnos definitivamente en portugueses?

    Un saudo, e felices festas. Xose Manoel.

    • Pedrito el lusista

      Xose Manuel, não se trata de nos tornarmos em portugueses, senão de (re)convertir o galego no que realmente é: português. E uma vez que os galegos sejamos português-falantes, já veremos o que se passa … se para conservarmos a nossa língua temos de deixar de ser espanhois e virar portugueses, haverá que fazê-lo. A língua é a que dicta todo, para nós lusistas. Esse é o nosso galeguismo positivo.

      • Isabel

        Pedrito, não se pode (re)convertir o que nunca deixou de ser. A língua é instrumento do pensamento, se está bem estruturada e instalada, e sobretudo se é eficaz, ou seja, se conecta de jeito eficiente todos os utentes dessa língua e demonstra valer para o troco de informação, então é que serve para algo e é útil. As únicas línguas mortas são as inúteis.

        • Cadeseipas

          Isabel, concordo com o que escreves ao 100%. Eu poderia dizê-lo com mais palavras, numa réstia de comentários, com citações a eruditos – mormemente filósofos platónicos – que ninguém leria, nem entenderia (mas que queres, o meu orgulho inteletual e a adicção a abusar da minha capacidade de raciocínio não me deixam escolha). Por outra banda, dado que o comentário de José Manuel é bastante comedido, não posso demonstrar a minha capacidade dialética para desabafar e insultar retoricamente. Não há frango a despenar para mim, terei de buscar alhures.

        • Ex-lusista

          ui Isabelita, muito me temo que não partilho a tua visão idealista da realidade. A minha visão é (como a da grande maioria dos galegos) empírica, e baseia-se nos factos verificáveis da experiência, que nos dizem que o galego não é português. Segundo ela, podemos explicar que cara a segunda metade do século XX o galego se tem tornado num híbrido galego-espanhol, que funciona separado do espaço lusófono, e integrado no espanhol, com garantia e selo de oficialidade. O galego não está morto, mas apenas metamorfoseado nalgo útil, muito útil: é um seguro contra a desespanholização da Galiza, é uma carta mais no jogo da política «regional» e «nacional», é um instrumento de medra pessoal para políticos e inteletuais medíocres (e não medíocres). Por isso não há morrer, porque é muito útil. O Reino Bourbônico do Mal sabe até onde pode chegar, igual que o Império Romano, que permitia o culto das deidades «locais». O leonês ou o aragonês sei-que estão perdidos, mas o galego … ? Never, isso já o demonstrou o mesmíssimo Fraga Iribarne.

          Por tanto, cuido que os teus sonhos armaggedónicos nunca virão a se concretizar, e terás de aturar para sempre a realidade de «Galicia». Já sei que é penoso, mas é-che o que há, polo menos fora da tua torre de marfim. Para eficaz instrumento do pensamento os galegos já têm o espanhol, não avonda com ele? E a gente gosta muito de cousas menos eficazes, mas úteis à sua maneira. Assim acontece e acontecerá no país chamado «Galicia». A menos que tenhades um plan secreto para dar cabo da supremacia do espanhol. Seria muito, muito interessante conhecê-lo.

          • Ex-lusista

            A única via possível, se é que resta uma tal cousa, é a de reconduzir o galego-espanhol cara o galego-português, progressivamente Algúns andam trabalhando nisso, mesmo que seja dentro da oficialidade e da ortografia galego-espanhola. Outros, reintegracionistas abertos, andam a vestir o seu «português» de galego, seja a partir da ortografia, seja de outros aspetos. Dessa maneira se poderia ir ganhando massa crítica e «momentum», para poder ativar essa «reconduição», e poder «contra-metamorfosear» o galego-espanhol. O problema é que com gente como a ti, Isabelita, que estades tão espanholizados que esquecestes a renarteria galega, as luzes de alarma do nacionalismo espanhol e o seu subalterno português nunca deixarão de estar acesas. Mas da vossa torre de marfim sempre estaredes bem ao quente, e a culpa sempre será de outros. Mas do vosso orgulho inteletual ou do vosso fundamentalismo ideológico não há rem a louvar, nem a invejar.