Já é curioso per se que seja uma Faculdade de Letras a que não tenha uma posição sobre o acordo ortográfico, mais se a isso juntamos o nome do Director da Faculdade… a curiosidade fica multiplicada, não será um desígnio que seja António Feijó?
Não parece brincadeira que seja um Feijó quem custódie as Letrás além do Minho? Não será que nos une máis do que as políticas e os destinos azarosos separam? Não é que na nossa beira do Minho há um Feijoo que se diz o nosso presidente e que está a dinamitar a nossa política lingüística??
“A Faculdade de Letras de Lisboa não tem uma política de ortografia, não tomou posição política sobre a questão do acordo. Neste momento nem impede, nem se opõe a que qualquer pessoa na faculdade, seja docente, não docente ou aluno escreva com a grafia que entender», diz Feijó.
O site da Faculdade de Letras de Lisboa está com a grafia antiga, como sempre esteve e não será alterado. “Se alterássemos estaríamos a ter uma posição política de ortografia e por isso vamos mantê-lo”, diz Feijó, alertando que, em termos de imperativos legais, o acordo não está completamente em vigor. “Eventualmente, a faculdade poderá vir a ter que tomar uma decisão, mas eu não antecipo quando será”.
Na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) o acordo ortográfico está a ser aplicado desde o início deste ano lectivo, por decisão da reitoria, que solicitou a todas as faculdades dependentes de si que o adoptassem. No entanto, para Rosa Maria Martelo, professora associada da FLUP, a aplicação desta medida levanta alguns problemas, uma vez que, na sua opinião, o acordo “não é bem realizado”. «É razoável que se faça uma reflexão. Quer as pessoas que são contra ou a favor têm consciência de que o acordo tem problemas e houve uma precipitação na homologação da lei”, diz a Doutora.
José Esteves Rei, professor do Departamento de Letras da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e que esteve envolvido na primeira versão da Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário (TLEB), apela ao bom senso, defendendo que a aplicação do acordo visa a padronização da língua e a aproximação das comunidades de língua portuguesa.
“A língua portuguesa não é uma língua morta, pelo contrário, está sempre em evolução. Tem de se adaptar e procurar novas linhas”, disse o professor, explicando que na UTAD o acordo já foi adoptado em 2011 e não gerou qualquer problema. “É um esforço que se pede a todos. Quando há muito tempo, por exemplo, a palavra ‘pharmacia’ evoluiu para farmácia, foi exigido um esforço de compreensão que não imaginamos. Se calhar daqui a 20 anos já estamos a rever novamente o acordo”.















