Como apostatar de NCG (uma crónica)

Celso Álvarez Cáccamo 10 de Outubro de 2011 10

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Acabei de exercer o meu direito, reconhecido constitucionalmente, de deixar de pertencer à igreja NCG. Ainda sou membro de outras (bancos, companhias telefónicas, multinacionais informáticas, cárteis da desinformação), mas é difícil abandonar todas as fés abruptamente sem algumas recompensas. A minha apostasia, além, foi delegada, também em nome da minha companheira: era uma conta nossa da igreja NCG que mantínhamos fielmente durante décadas para ir alimentando as indemnizações milionárias dos nossos hierarcas. Agora que estas já foram cobradas, a nossa missão está cumprida.

O procedimento de apostasia é rápido, mas não isento de passagens surreais que tornam a nossa imensa Resistência Cívica em curiosos atos memoráveis. Os empregados da igreja NCG, como os curinhas, são simples representantes de poderes superiores: “Ao fechar uma conta, cobram-che a comissão de manutenção, pro-rateada” (virá de “rato”?).  “E isso está estipulado?”, inquiro. “Não sei, estará no contrato”. Ah. O Desconhecimento das Leis Não Exime do seu Cumprimento.  No caso de NCG, a comissão era nada menos que 15 euros por semestre, isto é, 30 por ano, suficientes para uma boa ceia de aquelarre.  Olho para o papelinho:  “Cobram-me 10 euros por manutenção, é demais”.  “Eu não sei, é o que diz a máquina”.  Ah: A Máquina — por fim compreendo.  A Máquina é a máxima conselheira delegada do Reino de Deus na terra da finança. Está programada para ratear a nossa vida inteira com exactidão. Seria ingénuo protestar: tem por detrás o sistema judicial do mundo. Bom, aceito doar os últimos 10 euros a qualquer pobre executivo de NCG, para o seu uisquinho.

“Ah”, esclareço ao acólito bancário.  “A outra titular da conta também deve ter um cartão de débito”. “Pois seria bom que o trouxesse por aqui, para dá-lo de baixa”.  O diálogo que segue manifesta o carácter inescrutável da programação da Máquina. “Por que devolvê-lo?”, pergunto, “se a conta já não existe. Não poderá utilizá-lo”.  “É que quando expire o cartão atual, em 2013, vão-lhe mandar [Eles, de novo] um cartão novo, e intentarão cobrar-lhe”.  “Mas não haverá dinheiro!”.  Escapa-me como se pode enviar um plástico não solicitado para um freguês já inexistente, a um endereço que já não deveria constar na Máquina, e procurar cobrar-lhe. Citação judicial?  Embargo de bens?  Persecução policial?  Acho que a explicação (que nem a Máquina nem o acólito compreendem bem) é singela: se a pessoa apóstata entrega voluntariamente todos os seus signos de fé bancária, a igreja poupa os quartinhos dum novo cartão inútil. Pouparem (Eles), é a palavra. Outro uísque, por favor.

Saí do local, devidamente apostatado, com aquela sensação de limpeza interior que sentia quando, de meninho, tragava cada domingo uma obreia de pão insulso diante de Deus e o seu lacaio. Deve ser que hoje, na madurez do cérebro e da pele, a anti-fé rebelde é o mais semelhante à Fé verdadeira que se conhece. Sob um sol inusual que nos faz acreditar noutras terras, toquei no bolso um feixe de euros sólidos, efémeros vestígios da minha pertença a esse pedaço dum mundo que colapsa. Restam-nos muitas abjurações, sem dúvida. Tempo ao tempo, não é fácil. Talvez nunca se consiga. Mas é com atos minúsculos que se aprende a imaginar um país interno soberano.

  • Pedro Bravo

    Tu deixaste de acudir a UMA capela ou a devoção a UM santo, mas apostatar apostatar da Santíssima Congregação do Máximo Benefício (individual-monetário) com o Mínimo Esforço (individual-temporal) é peregrinação, se possível, bem mais árdua. Os que queremos Banca Pública, Transparente, Social, Responsável, não podemos exercer a nossa «liberdade de escolha», mas somos outros servos adscritos a corporações elefantiásicas que nos remetem epístolas pessoais lembrando-nos que querem ajudar-nos a cumprirmos os nossos desejos.

  • Esternocleidomastoideo

    Cala a boquiña que deberías de apostatar de outras cousas…

    • http://www.facebook.com/people/Pedro-Bravo-López/1818641877 Pedro Bravo López

      Se queres que alguém «cale a boquinha» terás que utilizar argumentos mais potentes do que tu infecto desejo. Mas não te chegava com aparecer miserável: de passagem também podes parecer parvo. Se o que queres dizer com «deverias de apostatar» se diz melhor com «deverias apostatar», que é o que estás a dizer realmente? Tudo o qual, miséria e estultícia, intentas dissimular com sua perfeita mistura: a imprecisão que ameaça com a ameaça e bate com a inanidade. «Outras coisas»: e não poderias dizer a metade de uma?

      • Xavier Andre

        Pedrito, acho que estás a confundir esse pobrinho esternomascloideo comigo, teu caríssimo amigo Xavier Andre, gascon, ex-lusista bom lusista. A primeira vez julgache eu ser um português aparecido no PGL que assinava “Quissonde“ (confire com o Gerardinho se ele era eu – has levar uma surpresa). A segunda, com um outro português, um pobrinho sionista, neste caso (confire co nosso amigo Nambu, também há-che ficar a cara de lelo). Agora, unes um terceiro fulano perdido (este galenhol acima) à tua lista de neurôtico lusista. Mas desta vez o ridículo é excessivo: de verdade pensas que eu precisso de ainda outros alcumes para te dizer quatro cousinhas?

        E para já, nem sei de que vai este artigo: não costumo ler o que escreve o Celso, nem sequer para ir apanhando o sonho. Mas vejo que a tua vocação de muito nóvel cão guardião das velhinhas lusistas desprotegidas está sempre aí para amostrar o teu talento na tua muito castelã pedantice. Terei de fazer-che uma visita em Arteijo para te explicar polo miúdo?

        • http://www.facebook.com/people/Pedro-Bravo-López/1818641877 Pedro Bravo López

          Que sejas o epítome da miséria não significa que toda dejecção ambulante seja de tua carne covarde. Não creio que o autor do artigo necessite protecção alguma. O que não aturo, e deverias DE sabê-lo, é a gente que deita seu lixo nos foros comuns. É isso o que não se pode tolerar.

          • Xavier Andre

            Por isso estás tu a comentar aqui, para limpar o lixo e mais o que tu imaginas ser lixo, porque ao teu próprio já estás acostumado, e não reconheces a sua natureza de refugo. Embora ainda não há cães que escrevam ou falem em portunhol de Galicia, ou em nenhuma outra língua, ainda bem que estás tu para ser o primeiro deles.

            E sobre tolerância pouco podes falar, desde que a tua arte é a mais miserável de todos os lusistas: a do insulto retórico-pedante. E isso só é permitido a um covarde que vive agochado atrás do seu ordenador.

          • http://www.facebook.com/people/Pedro-Bravo-López/1818641877 Pedro Bravo López

            Voltas à mesma léria como o que fracassou quer voltar ao lugar e momento de seu fracasso. A ver se duma vez copias os argumentos e não as piadas que fazem contigo, que nem para difamar és original. Até apostarias que tuas mais batidas «críticas» («fetichismo», «fundamentalismo», «onanismo», etc.) as descobriste sendo tu o alvo. Que nessa ocasião foram ajeitadas e oportunas não implica que mantenham sua validade em qualquer circunstancia.

          • xavi

            Pedrito, pega no espelho, hom, e verás que estás a falar de ti próprio. Ninguém che pediu para voltares a este fio, e ainda menos para me aludires. Ou agora tens descido tão baixo que já empregas a tua retórica de insultos e insinuações com quem não conheces mais do que um comentário escrito duma linha? Até aí chega a tua raiva de cão luso-hidrófobo?

            E já agora, desde que pretendes ser mestre de portunhol (e abofé que o és), poderias-me explicar isso do teu “possessivo à brasileira“? Ele-também falarás com sotaque brasileiro? Acho que não serias o primeiro castelão a (tentar) fazê-lo, mas seria muito massa ouvir-te … sei-que moras numa dessas raias do Uruguay?

          • lilith

            Unha dúbida, porqué odia vostede ao señor Bravo?

          • Xavi

            Não há ódio nenhum contra o senhor Bravo, lilith. O que está a presenciar neste foro, e também noutros, forma parte duma minha muito fria e calculada campanha de denúncia e derruba do Lusismo.

            Agochado atrás do ecrã do meu ordenador, a mais de mil kilômetros de distância, segundo voa o corvo, o meu bater constante e decicido há esnaquizar e esmagar o corpo infeto destes seres desprezíveis e idólatras do acento de nassalidade, embora incapazes de evitar o (nojento) sotaque castelã, o excesso de caspa e o mau hálito.

            E por onde melhor começar o chóio que lá por onde todo estratega que se prezar começaria: o elo mais fraco.